sábado, 4 de fevereiro de 2017

A última e a primeira

A última Tarde Literária de 2016 aconteceu numa noite. Verdade, no dia 17 de dezembro nos reunimos na Escola Ephigênia e trocamos livros, o nosso amigo secreto.
Com muito entusiasmo encerramos nossas atividades  prometendo retornar em 2017.



















E aqui estamos nós! A primeira Tarde Literária do ano aconteceu na casa da professora Meire, no dia 31 de janeiro. O encontro foi agradabilíssimo; falamos de nossas leituras de férias e tomamos um delicioso lanche. No final, trocamos alguns de nossos livros e a proposta é ler livro do amigo para o próximo encontro.




quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Gil Veloso: um espelho, uma rainha, uma maçã e... alguns gatos

Gil e Chuva
Créditos: Bárbara Vida


Em um bate-papo descontraído e divertido, Gil Veloso responde às perguntas, nada venenosas, porém travessas, feitas por alunos da Escola Masson, de Bariri- SP.
Após lerem seu mais recente livro “Branca de Neve”, Editora Pulo do Gato, ilustrado maravilhosamente por Iban Barrenetxea, no qual ele reconta a clássica história com toques de humor e originalidade, a turma do 6º ano C elaborou um bocado de perguntas para Gil. 
As questões alternaram na temática, ora abordavam a obra, seus personagens e ora outros livros do autor e sua vida pessoal.  Uma curiosidade da entrevista é que como as perguntas foram digitadas no celular por meio de um aplicativo de digitação que completa as palavras automaticamente, algumas delas foram transcritas de modo equivocado, contudo Gil aproveitou a circunstância para brincar com as crianças e com as palavras. Durante a leitura da entrevista, o leitor perceberá as referências que fizemos às palavras e o modo como o entrevistado brincalhão transformou-as.
Para ele, as palavras têm vida própria e quanto mais conhecemos suas diferentes formas de se combinarem, mais sentido podemos dar a elas e aprender com elas.
Assim que encaminhamos as perguntas recebemos notícia de que seu livro “Um Viaduto Chamado Minhocão”, Editora Dedo de Prosa, foi selecionado para o Prêmio Jabuti deste ano. Estamos comemorando muito com ele essa conquista, pois o prêmio representa muito valor no universo literário e cultural.


Bora ler a entrevista, porque, como sempre dizemos, ler é... da hora!


1. Ler é da hora: Gil, a primeira é para um personagem: Caçador, por que você não matou a madrasta?
Caçador: Não matei a madrasta porque fui caçador de bichos, não de gente; hoje sou vegetariano, desde que me prenderam numa gaiola só como alpiste. Fui obrigado a dar um fim na Branca de Neve porque não podia desrespeitar a madrasta, que era também rainha, rainhas e reis são uma gente bastante vaidosa, não gostam de ser contrariados.


2. Por que o espelho não mentia que a madrasta era mais linda para salvar a Branca de Neve?
Gil: O espelho não mente, ou melhor, mente só um pedacinho de vez em quando, tipo como a gente faz ao contar um conto e aumentar um ponto; às vezes é bom mentir, fingir, inventar, criar pra deixar a realidade um pouco mais atraente.


3. Quantos anos você tinha quando escreveu seu primeiro livro?
Eu já tinha bastante idade, certamente o suficiente para ser o pai de quem fez esta pergunta, hoje eu poderia quase ser seu avô.

4. Por que o príncipe não beijou a Branca de Neve?
Ele não beijou porque tinha acabado de almoçar uma deliciosa sopa de cebolas roxas com alhos orgânicos e ainda não tinha escovado os dentes, então achou melhor não arriscar, vocês sabem, ela ia fugir dele como vampiros fogem de alhos, da cruz e da luz. Já pensou se ele a beijasse e ela se transformasse num sapo, numa perereca? Socorro!

5. Por que resolveu recontar a história de Branca de Neve?
Porque eu não gostava dela do jeito que estava, um tanto sem graça, sem sal, sem pimenta, sem açúcar. E você também pode mudar a minha versão e contar uma só sua do modo que mais lhe satisfaça, eu deixo, não me importo e prometo não lhe prender numa gaiola.



6. Por que a Branca de Neve era tão teimosa?
Aposto que quem fez esta pergunta e bem mais teimoso ou teimosa que Branca de Neve; eu não acho que era teimosa, ela apenas não obedecia  sempre e fazia o que a cabecinha dela de neve queria, assim como eu, você, a classe inteira, a professora, a diretora, o padre e o prefeito da cidade.

7. É legal ser escritor? 
É legal e não é, tudo ao mesmo tempo; mas eu não me considero um escritor, sou escritor apenas quando estou escrevendo, como agora, coisa que faço bem pouquinho, pois tenho uma porção de outras coisas pra fazer e algumas bem mais convidativas.

8. Por que seu primeiro livro foi inspirado em seu gato?
Eu ficava vendo ele respirar, inspirar e expirar infinitamente e assim ele me inspirou, então por isso o livro foi preguiçosamente inspirado nele, mas depois ele foi embora e até agora eu não sei o porquê. Ainda hoje espero um sinal, uma carta, um telegrama, um e-mail, um skype, um whatsapp...

9. Por que você quis ser escritor?
Eu não quis ser escritor, apenas me tornei sem perceber, quando vi já era; mas isso tudo conforme a resposta que dei à pergunta 7, certo?

10. Por que os anões eram tão folhados (ops! folgados)?
Por que eles comiam folhas kkk. Brincadeira. Acho que você quis dizer Folgados, não é? Então, é porque meninos costumam ser um bocado folgados mesmo. Se você for menino saberá do que estou falando, embora possa negar e jurar que não e não. E se for menina vai ter certeza que falo a verdade. Ainda mais sete homens juntos, é folga pra semana inteira.


11. Por que preferiu escrever um livro ao invés de fazer outra coisa? Como por exemplo ter um emprego numa forma (ops! firma) ou num escritório? 
Eu faço uma porção de coisas, não fico o tempo todo parado escrevendo, tenho outras formas pra se viver, ainda bem, não é?
Cuido da casa, das plantas e de minhas gatinhas; faço comida, trabalho feito uma Branca de Neve, vou pra rua, dou aulas, volto e recomeço tudo outra vez novamente...

12. Você queria ser um escritor quando era pequeno?
Não, nunca quis ser escritor; queria ser artista de circo, jogador de futebol e outras coisas mais interessantes... Ainda hoje penso assim, não sou escritor; mas se você acha que sou então posso também ser.

13. Como é a via (ops! vida) de um escritor?
Você perguntou A via, mas tudo bem, acho que entendi; a vida, dependendo da via que seguimos, pode ser boa sempre, independente da nossa profissão, mas é preciso entender isso, que não é fácil de ser entendido, mas também não é impossível... Vivemos para entender, para decifrar, traduzir... mais cedo ou mais tarde acabamos por conseguir.

14. Qual seu escritor favorito?
Não tenho um favorito, mas de uns três ou quatro gosto mais: Clarice Lispector, João Guimarães Rosa, Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Drummond, Dalton Trevisan a Hilda Hilst... Assim já são 7, um pra cada anão. Mas de quem mais eu gosto é de mim mesmo, com todos os meus 77 defeitos; se eu não gostar de mim, quem é mais que vai gostar? Está ao nosso alcance gostarmos da gente no ponto exato que gostaríamos de ser gostado, ninguém mais consegue gostar da gente assim no ponto certo, justo, somente nós. Mas isso é bem difícil, tarefa para uma vida, mais fácil escrever um romance, uma novela...

15. Em qual cidade você nasceu? Já escreveu um livro para ela?
Nasci em Dois Vizinhos, no Paraná; nunca escrevi nada para ela, um dia quem sabe. Hoje a cidade cresceu, deve de ter muitos vizinhos mais, mas o nome dela não mudou. Meus pais e alguns irmãos ainda vivem nesta cidade, quase nunca vou lá, puxa, agora me bateu uma saudade...

16. Qual seu livro favorito dos que você escreveu?
Não tenho um favorito em especial, gosto do primeiro porque foi o primeiro, abriu caminhos, mas também gosto do segundo por ser o segundo e assim por diante até o último, por ser o último. O meu preferido ainda não escrevi. E talvez nunca o escreva.

17. Por que você começou com era uma vez um inverno?
Comecei assim para dar uma importância maior ao tempo, a natureza, e não as pessoas. O tempo é o personagem principal, todo o resto são diferentes formas de vaidades. E também como para dizer que viriam coisas terríveis. Normalmente o inverno representa um período difícil, o frio, solidão etc. Veja que a palavra Inverno lembra Inferno. E são, opostamente, fria e quente; enfim, esse inverno é uma espécie de espelho claro transparente mostrando coisas profundas e ocultas...

18. Madrasta, por que você quer sempre matar a branca de Neve?
Madrasta: Eu não queria matar Sempre, eu só queria matar uma única vez, mas é que ela não morria sempre, então a coisa foi ficando complicada.




19. Por que o título de seu segundo livro é “Travessuras”? Você gostava de fazer travessuras quando era criança?
Chama-se Travessuras porque há nele algumas travessuras atravessadas. Principalmente travessuras com palavras. Não gosto da maneira comum de pensar e ver e escrever as coisas, vejo tudo do avesso, atravessado e de trás pra frente.
Quando criança eu era chorão e sem graça, gosto mais agora de fazer travessuras.

20. Por que a mãe de Branca de neve desejou ter uma filha tão branca? Moreninha de chocolate também não ficava bom?
Essa sua pergunta atrevida me deu vontade de comer chocolates e não tem nenhum aqui agora, que pena. Pois é, poderia ser assim conforme você disse Moreninha chocolate. Mas a Branca de Neve nasceu deste jeito branca de neve, como o inverno, frio de rachar. Não tenho culpa, não me prenda na gaiola... Mas, como eu dizia em resposta a pergunta número 5, você pode recontar e requentar esta e demais histórias até que fiquem ao seu gosto e paladar. A maçã, por exemplo, não precisa ser maçã, pode ser goiaba, ou quem sabe uma jaca. E o príncipe poderá beijar apaixonadamente... depois de escovar os dentes, claro! Mas se você insiste eu mudo tudo: Era uma vez um verão. Uma rainha tomava sol sem protetor e sua pele mudou de tom, então desejou ter uma filha daquela cor e assim nasceu uma menina que gostava muito de chocolates...

21. Você gostava de português quando ia na escola?
Sim, gostava, porque perto da escola tinha uma padaria e o dono era português, que fazia pãezinhos tipo francês, kkkk. Brincadeira idiota minha. Sim, gostava de português, que é a única língua que sei falar mais ou menos. Odiava matemática, ainda hoje tenho medo de números, fórmulas e coisas do tipo.

22. Seus ilustradores também gostavam de desenhar quando eram crianças?
Acho que gostavam, toda criança gosta de desenhar, de brincar com cores e rabiscar as coisas, os adultos também gostam, só que deixaram de fazer isso para fazer outros rabiscos.

23. Você gostava de escrever quando criança?
Acho que só comecei a gostar pelos 12, 13 anos adiante, antes não lembro; nesse tempo comecei escrevendo letras de músicas, que tocava e cantava desafinadamente, coisa que faço até então.

24. Você é casado?
Sou. Sou casado. Casado com minha gatinha Canja-Canjica. Ela já tem 12 anos, mas parece e aparenta menos. Vivemos felizes para sempre!


Canja-Canjica


25. Já escreveu história de amor?
Já escrevi coisas do tipo pra Canja-Canjica e para Carola-Carolina, uma outra minha filhota gatinha que já não existe... essa lembrança dela me deixa triste, ainda mais hoje, dia de finados...

26. Tem filhos?
Tenho. Chama-se Chuva. Ela tem apenas um aninho pra fazer agora no mês que vem, e é toda pretinha e branca, branquinha de neve com cobertura chocolate, como queria o menino ou menina da pergunta número 20.
Chuva é a coisa mais linda que há nesta vida! e quando chove então ficamos juntinhos-quietinhos-quentinhos fazendo bolinhos-de-chuva!

Chuvinha

27. Por que você só escreve livros para crianças?
Não escrevo só para crianças, escrevo também para cães e gatos e peixes e sapos e gente grande e todo o tipo e espécie de criaturas vivas e do além e pedras e rios e árvores, pássaros e principalmente para mim, eu mesmo criança-gato-peixe-sapo...

28. Quando era criança o que você queria ser?
Eu não queria ser, eu era. Criança mesmo, da hora, de verdade, consegue ser o que é, depois começamos a crescer e queremos ser o que não somos, mas antes de morrer alguns retomam e conseguem ser o que são novamente. Vive-se pra isso, achar e perder e achar e perder infinitamente... Mas falando deste modo parece que estou fugindo sem responder a pergunta; não, veja que na resposta  número 12 falei que queria ser artista de circo, jogador de futebol...

 29. Você gostava de esporte?
Gostava de jogar bola e teve uma fase, entre 13 e 16 anos, que jogava o dia inteiro. O dia era como uma bola imensa, pronta pra se chutar e fazer muitos gols num campo amistoso, infinito e sem goleiros... Mas isso lá atrás, nos tempos do Garrincha e do Pelé.

30. Dos personagens de Branca de neve qual deles se parece mais com você?
O espelho é mais minha cara, mas tenho um pouco e pedaço de cada um dos demais; sou o inverno, a rainha, o sangue, a Branca de Neve, a madrasta, o caçador, a lebre, os sete anões, o príncipe e a maçã, principalmente a parte dela envenenada, rs. Todos temos e somos um pouquinho de tudo isso, pare um pouco pra analisar e verá que é fato, somos uma colcha de retalhos de múltiplas cores e formatos. No meu caso, uma velha colcha um bocado remendada, rs.




31. Você gostaria de ser um personagem de um livro seu?
Eu queria ser aquele gato que tive e que me inspirou e sumiu da minha vida para sempre. Mas acho que já respondi isso na pergunta anterior, somos uma mistura de coisas. É isso, se me fosse possível ser o que não sou eu queria ser um gato bem felino, e ter 7 deliciosas vidas, como os sete anões brancos de neve...

32. Temos mais perguntas, mas vamos parar por aqui se não você vai se cansar. Abraços e uma maçã sem veneno.
Agradeço a todos pelas perguntas sem venenos, me perdoem se não respondi à altura, e muito obrigado pela maçã, da próxima vez quero uma jaca.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Que gostoso ler no jardim!!!

No jardim da Escola Ephigênia estamos experimentando outros momentos de leitura!
Descobrindo que ler é... da hora! a cada dia aprendemos mais como é gostoso compartilhar com quem gostamos aquelas horinhas do dia mais preciosas.
Obrigada, autores e autoras! Continuem enchendo nossas vidas de histórias e poesia!









sábado, 29 de outubro de 2016

Geladeiroteca e Tarde Literária!

Na tarde de hoje tivemos o prazer de inaugurarmos a Geladeiroteca da Escola Ephigênia e realizarmos nossa IV Tarde Literária.
Comemorando o dia do livro, convidamos Sônia Bricce, mãe do aluno Murilo Bricce, para ser a madrinha da nossa Geladeiroteca, já que foi ela quem trouxe a ideia para nossa cidade.

Para que tudo desse certo no dia de hoje, contamos com a colaboração de muita gente. Desde o doador da geladeira até do artista que a decorou com tanta dedicação e carinho. Orientado pela professora de arte, Vânia Tessaroli, o aluno Aparecido fez um excelente trabalho de reprodução de obras de Romero Brito.
Assim, na sequência realizamos a Tarde Literária no jardim da escola. Após todos compartilharem as recentes experiências de leitura, fizemos um piquenique para encerrar o encontro nessa deliciosa tarde de primavera.
Também sorteamos os nomes do amigo secreto que será revelado em dezembro, quando nós trocaremos livros!

Enfim, foi uma tarde maravilhosa, em que o sol brilhou mais uma vez a favor da literatura.

E viva o livro!

29 de outubro, dia internacional do livro













quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Poesia na praça!

Hoje foi a vez de Clarice Pacheco (conhecem?) andar pelas ruas de Bariri. 
A poetisa foi uma jovem escritora brasileira, que começou a criar histórias quando era muito pequena, e as primeiras tinham apenas desenhos e curtos diálogos.Infelizmente, Clarice faleceu aos 13 anos vítima de uma cardiopatia, mas seus pais publicaram seus livros.
Escolhemos o poema "Meus brinquedos" para o mês das crianças.
Depois das imagens, confiram a singeleza e musicalidade envolvente do poema.















Meus brinquedos

De repente
Ao lembrar dos brinquedos queridos
Que ficaram esquecidos
Dentro do armário
Me bate uma saudade
Me bate uma vontade
De voltar no tempo
De voltar ao passado
Mas nada acontece
Nada parece acontecer
E eu choro
Choro como o bebê que fui
E a criança que quero voltar a ser
Não quero crescer!
Clarice Pacheco

domingo, 28 de agosto de 2016

III Tarde Literária

Sábado realizamos a nossa III Tarde Literária. Foi uma experiência maravilhosa. Conhecemos a mãe da Hanna, Andréia, e adoramos as experiências de leitura dela. Apresentou-nos a autora Júlia Quinn.
Também ficamos muito felizes com a presença de Liliane, irmã de Luisa. Encantadora menina, aluna da escola Eurico.
Conhecemos um livro muito interessante chamado "Onde as árvores cantam", de Laura Gallego Garcia, apresentado por José Alceu, da Escola Idalina.
Nossos alunos e ex-alunos, como sempre, foram excelentes anfitriões, que mostraram cordialidade e carinho pela literatura e pelas pessoas.
Fechamos o fim de semana com os corações abertos a novas tardes literárias.


























Análise do livro "Til", José de Alencar